quinta-feira, 20 de agosto de 2015

E se você fosse deficiente auditivo por um dia?

É manhã de segunda-feira e o sol bate na janela do seu quarto, mas as persianas cerradas impedem a luz de entrar. Ainda bem que você programou o despertador no celular. Uma pena que você não escute direito. Como você faria para acordar?
Não sei como você fez, mas acordou. Agora é só se arrumar e ir trabalhar. Vai tirar o carro da garagem? Mas é bom você olhar bem nos espelhos retrovisores, pois o sensor sonoro da marcha ré não vai te ajudar.
No trânsito, atenção redobrada. Afinal, se alguém buzinar, cantar pneu ou acelerar intensamente, é possível que você não ouça.
No trabalho, é bom que as pessoas saibam lhe mandar e-mails, porque, se o telefone tocar, você não vai atender. Quanto ao seu celular, é bom que ele esteja na função “vibrar” e bem perto de alguma parte do seu corpo, para que você possa sentir quando alguém ligar. Não adianta colocar sua música preferida de toque, porque você não vai ouvir quando ela tocar.
Se estiverem cochichando, baixinho, falando bem ou mal de alguém, você também não vai ouvir, mesmo que seja sobre você. Se, por acaso, soar algum alarme, é bom você prestar atenção na correria. Ao chegar em casa, depois de um dia cansativo, você pode ler um livro. Se optar por assistir televisão, se prepare para ativar a legenda.
Estes são exemplos do cotidiano de algumas pessoas com deficiência auditiva. Já existem tecnologias que ajudam - e muito - na rotina dessas pessoas. Entretanto, não existe nenhum tipo de aparelho que acabe com o preconceito. Antes de julgar, coloque-se no lugar do outro.

Falta de audição, excesso de talento

A tecnologia entrou na nossa vida para melhorar e muito. Para facilitar a vida de pessoas com certas limitações, aparelhos e aplicativos foram criados. A blogueira gaúcha Paula Pfeifer começou a perder a audição na infância de um modo progressivo. Ela diz que sua adaptação aos aparelhos foi algo lento e gradual, além do fato que requer muita resiliência. Paula usa um implante coclear no ouvido direito. O implante estimula eletricamente as fibras nervosas, permitindo a transmissão do sinal elétrico para o nervo auditivo, a fim de ser decodificado pelo córtex cerebral.

Créditos: Site Crônicas da Surdez
Em todo o mundo atualmente existem mais de 60 mil usuários. O modelo de Paula é o Nucleus 6 que tem uma tecnologia sem fio que faz com que a pessoa consiga ouvir uma música direto do implante através do bluetooth. Outro tipo de tecnologia que ajuda são aplicativos para smartphones, como o ProDeaf, ele captura a voz do usuário do smartphone e converte para libras, com a exibição na tela do aparelho por meio de um avatar. Existem também no mercado dos celulares vários tradutores simultâneos que passam do português para as libras e vice-versa.
Confira o blog de Paula, Crônica da Surdez: www.cronicasdasurdez.com